TÉCNICAS DE MEDITAÇÃO
Meditação Andando
PAZ É CADA PASSO.
Thich Nhat Hanh
Conheço pessoas que de imediato acharam muito difícil meditar sentados, mas interiorizaram profundamente a prática de meditação caminhando. Não importa quem você seja, não pode estar sentado todo o tempo. E algumas pessoas consideram virtualmente impossível permanecerem sentadas e concentradas com os níveis de dor, agitação e raiva que sentem. Mas elas podem caminhar com isso.
Em ambientes muito austeros, períodos de meditação na posição sentada são intercalados com períodos de meditação caminhando. São a mesma prática. A caminhada é tão boa quanto o tomar assento. O que importa é como você mantém sua mente.
Na prática formal da meditação caminhando, você presta aten¬ção no próprio caminhar. Pode focalizar as pisadas como um todo, ou como segmentos isolados do movimento, tais como mudar, movimentar-se, colocar-se, mudar; ou ainda no movimento do corpo inteiro. Você pode conciliar uma percepção da caminhada com uma percepção da respiração.
Ao meditar caminhando, você não está andando para chegar a algum lugar. Normalmente é só voltar e ir adiante em um gramado, ou dar voltas e voltas em um círculo. Literalmente não tendo lugar para ir, torna-se mais fácil estar onde você está. Qual o sentido de tentar chegar a algum outro lugar na sua trilha de caminhada quando ela realmente é toda igual? O desafio é: pode você estar plenamente com este passo, com esta respiração?
A meditação caminhando pode ser praticada em qualquer ritmo, desde ultralento a muito acelerado. Até onde, neste ciclo de passos, você poderá estar atento vai depender da velocidade. A prática é dar cada passo na medida em que ele surge e estar completamente concentrado nele. Isso significa sentir as muitas sensações de andar — nos seus pés, nas suas pernas, no seu porte e jeito, como sempre, momento a momento e, neste caso, passo a passo também. Você pode chamar isso de "cuidado com o degrau", um trocadilho intencional, embora a visão seja interior. Você não está olhando para seus pés!
Tal como acontece quando você medita sentado, surgirão coisas que desviarão sua atenção da simples experiência de andar. Trabalhamos com aquelas percepções, pensamentos, sentimentos e impulsos, memórias e antecipações que surgem durante a caminhada exatamente da mesma maneira que procedemos na meditação na posição sentada. Por fim, andar é quietude em movimento, é concentração fluida.
É melhor caminhar meditando como prática formal em um lugar onde você não se tornará um espetáculo para as outras pessoas, especialmente se você vai fazê-lo muito lentamente. Bons lugares são a sua sala de estar, um campo, ou uma clareira no bos¬que; praias isoladas também. Empurre um carrinho de compras diante de você em um supermercado e você poderá caminhar tão lentamente quanto quiser.
De maneira informal, você pode praticar esse tipo de meditação em qualquer lugar. A meditação informal não envolve dar passos para a frente e para trás ou dar voltas em um círculo, apenas caminhar normalmente. Você pode andar de maneira concentrada ao longo de uma calçada, descer um corredor no trabalho, dar uma caminhada, passear com seu cachorro, andar com crianças. Isso envolve recordar que você está aqui em seu corpo. Você simplesmente lembra a si mesmo que está, nesse momento, assumindo cada passo como ele vem, aceitando cada momento como ele vem. Se você se apanha correndo ou se tornando impaciente, diminuir o ritmo pode ajudar a suavizar sua corrida e lembrar a você que você está aqui agora, e que quando chegar lá, estará lá. Se você perde o aqui, provavelmente também perderá o lá. Se sua mente não está centrada aqui, provavelmente não estará centrada sim¬plesmente porque você chegou a algum outro lugar.
Texto extraido do livro: A Mente Alerta, de Jon Kabat-Zinn.